quarta-feira, 29 de julho de 2015

MÉDICOS CORTAM REMÉDIOS DESNECESSÁRIOS

Do folha SP
Primeiro ele tirou o anticoagulante da mãe. Depois o diurético do pai e,por fim, o antidiabético da prima.

“A família pensou que eu estivesse maluco”,conta o clínico-geral e médico de família Marcos Aurélio Melo.42,professor em duas universidade de Goiás.

Ele adota a mesma atitude com seus pacientes na atenção básica de saúde, onde atua há 18 anos.”No início eles estranhavam.Depois agradecem porque se sentem melhor sem os efeitos colaterais de remédios desnecessários.”

Rotina semelhante tem Hamilton Lima Wagner, medico de família e comunidade em Curitiba (PR).”Já descrevi para minha mãe, meus irmãos e para a minha esposa, pois identificava  efeitos colaterais em medicamentos que estavam usando”  diz
Marcos e Hamilton não estão sozinhos.

É crescente o movimento da chamada “desprescrição” entre os médicos de família e comunidade, especialidade que reúne 5.000 no país. Trata-se de um processo de reduzir ou suspender  medicamentos.

Eles se apoiam na ideia de que muitos medicamentos fazem mais mal do que bem quando prescritos sem necessidade ou usado por tempo prolongado. O assunto foi discutido no Congresso Brasileiro de Medicina e Comunidade, que ocorreu em Natal (RN).

Exemplo de medicamento frequentemente desprescritos são ácido acetilsalicílico (AAS), que tem função de anticoagulante, o omeprazol e seu similares, usados para cobate a azia e a doença do refluxo, e a metformina, indicada a pacientes diabéticos e pré-diabédicos.

“minha mãe é hipertensa controlada e estava tomando AAS infantil sem uma razão consistente. Além de não ter ganho, sofria queimação no estômago. Tirei há dois anos.ela ficou ótima”.conta Melo.

Da prima, classificada como pré-diabética, ele tirou a metformina. “Com dieta adequada e atividade física, o nível glicêmico se normalizou e se mantêm controlada há três anos.”

O omeprazol é outro clássico da desprescrição. É muito comum a pessoa já não ter mais sintomas da gastrite e continuar tomando.

O abuso motivou FDA (agência americana de fármacos e alimentos) a fazer alerta sobre os riscos dessa prática.

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