sábado, 28 de abril de 2012

MINHAS LEMBRANÇAS, MEU PATRIMÔNIO.


Nos dias em que deito na cama em horário incomum, dias de menos trabalho que sobra um tempinho a mais para mim, só pra mim, eu aproveito este tempo e faço meu filme de curta metragem na minha imaginação, de forma abstrata, mas perfeito para a minha pessoa.

Mexo em meus arquivos e encontro materiais de primeira para fazer feliz meu coração recordando momentos felizes que vivi na minha iluminada vida.

Eu fui uma criança feliz, muito feliz, brinquei muito na infância, as lembranças estão arquivadas até hoje. Não era um menino filho de pessoa rica, talvez isso tenha contribuído para que eu tivesse uma vida simples e repleta de histórias bonitas e divertidas.

Meus brinquedos eram os seguintes: cavalo de pau, carrapeta, baladeira, bila, corrupio, carreta de lata de sardinha, balanço, funda, pistola de talos de carrapateira... Sim, eu tinha também um carrinho de plástico que amassava com qualquer coisa.

As brincadeiras eram muitas, cademia, cair no poço, castelo com castanhas de caju, esconde- esconde, policia e ladrão, pular corda, cobra sega, passa anel, o grilo, peteca e outras que não encontro no momento.

O terreiro lá de casa, era o lugar melhor do mundo, toda hora do dia eu tinha diversão, à noite o céu era muito estrelado porque a civilização vivia a léguas dali. Minha mãe me apresentava as estrelas, as três Marias, o cruzeiro do Sul, os olhos de santa Luzia, as sete estrelas e muitas outras, afinal eram infinitas.

O cheiro de tudo aquilo ainda está grudado em mim, basta lembrar que sinto o perfume da folha de catingueira queimando para espantar os mosquitos, a fumaça da lamparina que tinha cheiro de querosene, as pamonhas cozinhando, canjica morna no prato com canela e a espiga de milho assada nas brasas do fogão à lenha. Sinto o cheiro de tudo até hoje.

Lembro o cheiro do cavalo em que meu avô vinha nos visitar, do vento da chuva, do curral onde eu bebia leite com jatobá, sinto-me feliz relembrar tudo isso, são meus arquivos, meu patrimônio.

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