sábado, 27 de agosto de 2011

A DOR DOS SENTIMENTOS DE UM HOMEM.

Estava eu em uma mercearia quando chegou um homem com a aparência de quem não tinha saúde mental completa, com as roupas bastante sujas e barba grande, carregando com ele um saco cheio de coisas sem valor. No pescoço um cordão de tecido sujo, com várias peças penduradas, não dava para diferenciar direito o que seria.

O senhor se dirigiu às prateleiras onde estavam as bebidas e pegou uma garrafa de aguardente, colocou em cima do balcão e tirou do bolso uma carteira toda rasgada e suja dela  tirou uma cédula de dois reais, e a entregou ao comerciante que em seguida lhe passou o troco de trinta centavos.

O homem pediu um copo descartável e disse que ia tomar logo uma “lapada” ali mesmo, saiu para a calçada com a garrafa na mão, olhou para umas pessoas que estavam do outro lado da rua e, sem perceber minha presença, pensando que não tinha ninguém o ouvindo falou sozinho da sua dor com essas palavras de delírio:

“Olha só como parece com Isa, aquela princesa... Ô Isa, como eu queria você de novo, mulher de fibra, trabalhadora, mulher branca e linda. Sinto muito a sua falta, você não deixava ninguém mexer comigo, quando seu irmão mexia comigo você virava fera. Eu trabalhando descarregando caminhão, poderia não ter deixado faltar nada, não era Isa? Lembro de você todo tempo da minha vida.”

Em seguida o homem encheu um copo de 150 Ml de aguardente, fechou os olhos e bebeu todo líquido com quem bebe água, depois juntou seus trapos e foi embora.

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