quarta-feira, 13 de julho de 2011

AS VISITAS DE VOVÔ, PAI DO OLHO DÁGUA

Hoje ao amanhecer do dia, sai para a rua e olhando o horizonte vermelho pelos raios do sol destruindo o resto da noite, veio em mim lembranças dos meus 5 anos de vida: um  moleque do sítio que não era notado por muitos. Órfão de pai, morava com minha mãe e meus 4 irmãos: Francisco, “Chico”, Francisca “rã”, Antônio “Torreiro”, Manoel “Mané” e eu Pedro, me orgulhava em ser o caçula da família.

Tudo era mágico, eu tinha tudo e não tinha nada. Tinha tudo porque eu não conhecia o que eu não tinha, portanto não me fazia falta. Meus pertences eram minha baladeira, uma dúzia de bilas, uma carrapeta, e um corrupio feito de cabaça. Sim, tinha também um cavalo-de-pau feito de uma vara de marmeleiro, isso era tudo que eu precisava para ser feliz.

O meu herói era o meu avô, Manuel vermelho, esse nome para mim significava Deus, o homem que podia tudo. Meu avô nos visitava toda semana, no final da tarde dos sábados, nós ficávamos ansiosos esperando a sua chegada, todos olhando para a “xam do cédulo”, o caminho por onde ele vinha.

De repente, de longe a gente avistava o cavalo branco de galope todos gritavam: “Lá vem, é ele” e descíamos o alto em dispara ao seu encontro, como eu era o menor ele me colocava na lua da cela e acabava de chegar junto comigo e meus irmãos. O cavalo muito esperto, mas cansado, todo suado da viagem, afadigado não parava de sapatear, ofegava e mordia a bridas, saia espuma da boca do cavalo.

Meu avô tirava do bolso da coronha um pacote de biscoitos comprado lá nos capitães para comer mais tarde com a gente com chá de folha de laranja. Depois ele tirava a cela do cavalo e o amarrava no oitão da casa para comer um mato que a gente dizia ser “rapadura de cavalo”.

Mamãe fazia o chá e nós íamos conversar no alpendre comendo os biscoitos e falando para meu avô as novidades da semana. Em seguida meu avô tirava do bolso uma carta do seu filho, meu tio Argemiro que morava na Bahia, a minha mãe lia e depois começava a escrever a resposta da carta para meu avô enviar de volta. Assim era a visita do meu avô.

Nenhum comentário: