segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

O SENHOR LÁZARO

Hoje pela manhã eu conheci este senhor, ele estava sentado em uma calçada fazendo um lanche. Seu Lazaro estava tomando um pouco de leite com sal, segundo ele, sua bebida favorita.

A cor branca da longa barba de seu Lázaro despertou em mim curiosidade. Como quem não queria nada me sentei bem próximo dele e falei: “hoje tá é frio, hein?”

Com a barba umedecida do leite que bebia, ele olhou pra mim. Seus olhos azuis brilhavam entre suas rugas e cabelos brancos de sua barba, percebi que ele não estava a fim de dialogar, mas mesmo assim eu existi:

- Me desculpar eu te perguntar, mas o senhor não é desta região? Estou certo?
- Sou não - disse ele
- Eu sou de minas.
- Ah sim, minas! Ouço muito falar. O que faz amigo, tão longe de casa?
Ele me olhou e me disse assim:
- Eu sou professor, ando ensinando os homens que pensam como animais.
- Como assim?

- Olhe eu tenho um conhecimento adquirido no maior acervo: o mundo. Tenho várias formaturas. Os formados em escolas pensam como os animais eu sou um animal que pensa como um ser humano, as escolas só nos tiram de nosso habitat original e nos deixam pensando como animais irracionais.

Isso me deixou com a cabeça pegando fogo, não esperava ouvir tanta verdade. Já com muita intimidade, lhe fiz mais perguntas:
- Onde está sua família? Cadê sua mãe, seu pai?
- Minha mãe e meu pai já faleceram. Minha mãe era descendente de italiano meu pai era indígena.

- O senhor tem esposa? Filhos?
- Eu tenho cinco filhos todos de mães diferentes, a esposa com quem eu vivi por mais tempo foi Luciana lá do Amazonas, vivi com ela dois anos, ela é a mãe de Lucas, um dos meus filhos.

Já com vergonha de tanto perguntar, me arisque e disse:
- Como é seu nome?
- Me chamam de professor Lázaro - disse ele.
- Pois bem seu Lázaro, muito obrigado por essa grande aula de vida! Posso fazer uma foto sua?
- Claro pode sim.
- Obrigado senhor Lázaro.

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