sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

JÚNIOR DE CEIÇÃO DA ENTREVISTA AO MOSSOROENSE

Protagonista de uma série de assaltos no município de Caraúbas e região Oeste, o preso de justiça Cássio Murilo Fernandes, 20 anos, conhecido como “Júnior de Ceição”, é acusado de ter chefiado em novembro do ano passado um sequestro cometido contra José Júlio, ex-prefeito da cidade de Antônio Martins, e mais duas mulheres.

Considerado pela polícia um dos bandidos mais perigosos da região Oeste, preso na semana passada, “Júnior de Ceição” concedeu entrevista exclusiva ao jornal O Mossoroense e revelou o medo que tem de morrer dentro do Presídio de Caraúbas, onde está detido.

Júnior falou também sobre o sequestro que comandou e de outras ações a ele atribuídas na sua vida de fora-da-lei. Porém, ele revela em diversos trechos da conversa que a policia é o seu principal medo.

A entrevista concedida por “Júnior de Ceição” foi realizada na manhã de ontem dentro da carceragem do Presídio de Caraúbas, autorizada pela direção. Leia na íntegra:

O Mossoroense: Júnior, você se considera um cara perigoso como a polícia descreve?

Júnior: Não, não sou um cara perigoso. Acontecem muitas coisas na região que são atribuídas a mim, sem eu ter cometido, outras pessoas fazem e põem a culpa em mim.

OM: Recentemente você se envolveu em um sequestro que despertou a atenção das autoridades, por se tratar de um político conhecido, o ex-prefeito José Julio, da cidade de Antônio Martins, como foi isso?

Júnior: Rapaz,foi de uma hora para outra. Nós estávamos na pista com as vítimas e resolvemos sequestrá-las, não estava na nossa cabeça fazer isso, foi de repente.

OM: Você sabia que a vítima é uma pessoa politicamente importante na região?

Júnior: Não, não sabia quem era a pessoa, nem imaginava que se tratava de alguém importante.

OM: Se você soubesse quem era a pessoa, tinha acontecido a “parada” ou a história teria sido diferente?

Júnior: Não tinha acontecido não. Porque o cara tinha sido prefeito e as coisas acabariam se complicando da forma com aconteceu. A história tinha sido outra.

OM: De quem partiu a ideia do sequestro? E quantas pessoas participaram da ação?

Júnior: A ideia de sequestrar foi de todos nós e no momento da ação era eu e mais três companheiros.

OM: Depois do sequestro, você foi o último a ser preso, como conseguiu se esconder por tanto tempo da polícia?

Júnior: Ah, estava com dinheiro, tudo era fácil. Fiquei hospedado em uma pousada aqui na região até o dinheiro acabar.

OM: Recentemente você teve alguns confrontos com a polícia e em um desses encontros seu padrasto Assiares e sua namorada Luzineide foram mortos na troca de tiros, o que isso representou para você?

Júnior: Foi um desgosto muito grande, ele e ela morreram sem ter nada a ver com o assunto. Na hora que a polícia chegou foi logo atirando, ela estava deitada na cama e ele na rede. Quando eu ia correndo já longe ouvi os gritos de minha mulher e meu padrasto sendo mortos.

OM: Você atribui que não houve reação?

Júnior: Não houve reação nenhuma.

OM: As armas e as drogas encontradas pela polícia, após a morte dos dois, de quem eram?

Júnior: A droga era minha, mas as armas foram “plantadas”. O que tinha lá eram duas bate-buchas e bate-bucha não é arma não, só serve para caçar passarinho.
OM: Como foi sua prisão?

Júnior: Eu estava cercado dentro do mato e resolvi vir para a rua. Vim pelos aceiros até chegar à casa da minha tia em Caraúbas. Pela madrugada, por volta das 2h, cercaram a casa e mandaram todo mundo sair. Aí eu pulei a janela e acabei sendo dominado.

OM: Você reagiu à prisão?

Júnior: Não. Não reagi.

OM: Alguém da sua família disse à polícia que você teria vindo à cidade para se entregar, é verdade?

Júnior: É verdade, pois já tinham matado minha mulher e meu padrasto e diziam que seria possível matar a família toda para que eu pudesse me entregar.

OM: Você ia se entregar com medo de alguém inocente morrer?

Júnior: Sim, que alguém inocente da minha família morresse, pois diziam que iam matar o restante da minha família.

OM: Os tiros que acertaram você durante a sua prisão foram durante a fuga?

Júnior: Dois foram, o outro eu já tinha.

OM: O que o levou a entrar no mundo do crime?

Júnior: Sei lá. Acho que foi a população falando muito da gente. Aconteciam muitas coisas em Caraúbas e botavam pra cima da gente.

OM: Você tem algum medo de morrer dentro da cadeia?

Júnior: Com certeza, ouvi uma conversa que estavam pagando para me matar dentro da cadeia. Mas é isso mesmo, seja o que Deus quiser.

OM: Você tem muitos inimigos dentro da cadeia, por isso está com medo de morrer?

Júnior: Não. Meu temor de morrer é pelas mãos da polícia. Só da polícia.


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