terça-feira, 24 de novembro de 2009

O que resta do trem de Mossoró

Como eu queria poder viajar de Mossoró até Souza nas locomotivas do trem... O que restou foi a ponte sobre o rio Mossoró.
Eu era uma criança de 8 anos, em 1978 , morava no sítio Retiro, município de Antônio Martins, tive a sorte de conhecer o trem na estação daquela cidade, o que eu admirava mais era seu apito rouco, o barulho que ele fazia andado, a gente dizia que ele falava assim: "Café com pão! bolacha não! café com pão! bolacha não! Eu ficava admirado com o comprimento dele sumindo dentro das serras, era muito bonito.
Um dia de madrugada fomos deixar um parente na estação e eu fui ver a frente do trem, a luz era muito forte fiquei encadeado sem ver nada e só tinha um farol, a minha mãe deu me uns cascudos porque eu fui para a frente do trem.
Por pouco não tive a oportunidade de viajar nele. A linha de ferro começava em Mossoró, passava por várias cidades do alto oeste e ia até Sousa. O trem foi inaugurado em 1915.
No tempo que Lampião tentou invadir Mossoró, em 1927, o trem saiu lotado de gente para Areia Branca, fugindo da batalha. Os historiadores contam que o trem não coube o povo, o peso era tanto que a fumaça do trem era preta.
Em 1980 a linha férrea foi substituída por asfalto e o trem foi desativado ficando só a história, as linhas foram retiradas, somente a ponte se mantém intacta, a estrutura está do mesmo jeito, só precisando de uma mãozinha de tinta. É um cartão postal, estendida sobre o rio desafiando o tempo.

7 comentários:

Viagens da Comunicação disse...

Boas lembranças do trem que tinha em Mossoró. Eu fiz peraltices nessa ponte. Lembro que certa vez estava com alguns colegas e ficamos debaixo de um pilar da ponte de ferro para ver a locomotiva e os vagões passarem. Brincadeira perigosa, mas sem maldade. Depois pulamos no rio para banhar. Naquela época, meados dos anos 80, o rio era límpido. Existiam poucas casas por ali.

Viagens da Comunicação disse...

Boas lembranças do trem que tinha em Mossoró. Eu fiz peraltices nessa ponte. Lembro que certa vez estava com alguns colegas e ficamos debaixo de um pilar da ponte de ferro para ver a locomotiva e os vagões passarem. Brincadeira perigosa, mas sem maldade. Depois pulamos no rio para banhar. Naquela época, meados dos anos 80, o rio era límpido. Existiam poucas casas por ali.

davi paisagista/84-94195371 disse...

O trem de Mossoró, também, sinto muita falta. E algo que jamais os governantes,
De Mossoró devia ter deixado acabar, queria um dia. Alguém pudesse no mínimo
Trazer os restos daquele trem praqui,para pudéssemos mostra a nossos filhos
E netos que um dia nossa cidade também teve seu trem. Mais você pode esta dizendo
A mais num tem o memorial. E tem mais, não e tão gostoso quanto ver com os próprios olhos e pegar com as mãos. A, para mim seria a maior alegria que poderia ter antes da velhice.
Vou esperar sonhando. E pedi a Deus que um dia este sonho possa se realizar,
Você não sabe quantas iriam me fazer lembra, e quantas lagrimas iriam mim fazer chorar. Falo para meus filhos, desse trem, e você não sabe a alegria, nos olhos deles. Imagine se eles vice com os próprios olhos, o quanto e verdade o que eu falo. Vou para por aqui porque não consigo mais escrever de tanto chorar. Desculpe-me...

Antonio Simão. disse...

Eu Antonio Simão, de 65 Anos de Grossos-RN. e Resido-em Mossoró desde Janeiro/1970. Viajei muito de Trem Maria Fumaça de Porto Franco para Mossoró. E de Mossoró para Sousa-PB, isso de 1970 a 1973.

Mara souza disse...

Sou de Mossoró tenho 28 anos e só conheci o trem quando era bem pequena e mesmo assim já estava sendo desmontado, só Deus sabe o quanto queria ver o trem novamente... Andar nele, ouvir seu gritar pela buzina..
Ah se alguém em sam consciência soubesse o quanto seria importante trazer a velha Maria fumaça pra nossa cidade novamente invés de festas sem sentido na estação Eliseu ventania.
Só queria que um dia alguém no poder trocasse a festa por cultura na velha Maria fumaça. Esse é meu desejo de todo coração.
As vezes só de olhar fotos da nossa cidade em meados do anos 1840 me dá uma enorme vontade de ter nascido naquele tempo, onde o pouco era muito e muito não era quase nada. Gostaria de ver mas fotos e reportagem da nossa cidade antiga, por gentileza. Desde já obg.

Marcondes Rodrigues Bezerra disse...

Fiz uma viagem de trem até Mossoró no ano de 1978,tinha dez anos na época e até hoje, passados quase quarenta anos permanece viva em minha memória, como era lindo tudo aquilo: o barulho da locomotiva, o seu farol único, o apito inesquecível, a aparência empoeirada dos vagões sem nenhum conforto, as estações magestosas, os rostos das pessoas a espera por onde passávamos, a paisagem seca do sertão, a poiera que entrava sem piedade pelas janelas, as pequenas pontes, os cortes na estrada por onde o trem passava apertado e o momento da passagem pela linda ponte de ferro sobre o rio na entrada da cidade nos mostrando que estávamos chegando a Mossoró. Aquele dia marcou os meus anos de menino e me tornei um apaixonado por trens desde então. Hoje fico triste ao ver que pouco foi preservado. A Ferrovia não existe mais, algumas estações estão em ruínas, como Demétrio Lemos e Almino Afonso, outras ha muito foram demolidas, como Ulrick Graff e as que foram preservadas, em nada remetem às memórias do trem da minha infância. Hoje quando passo de carro por estas cidades me pego tentando descobrir o trajeto por onde passavam os trilhos, mas quase nada ainda existe, além de cortes, elevados e pontilhoes em ruinas que teimam em ainda nos lembrar que um dia por ali passou um trem.

Marcondes Rodrigues Bezerra disse...

Quando criança fiz uma viagem de trem de Baixa verde (antiga estação Ulrick Graff, há muito tempo demolida) até Mossoró, todo a aquele percurso, as estações por onde passei, as pessoas nas estações tudo aquilo me encantou,ainda hoje, passados quase quarenta anos, permanece vivo em minha memória. Bons tempos aqueles.