sábado, 14 de março de 2009

A minha infância

Eu vou contar uma história
Que se chama meu passado,

Nasci no pé de uma serra
Por mato rodeado,
Lá no sítio Retiro
A terra que fui criado
O Rio Grande do Norte
Este é o meu estado,

Lá era muito bom
Tinha açude e barragem,
Plantio de várias frutas
Muito verde e pastagem,
Gente com simpatia,
Determinação e coragem,
Trabalhadores da roça
Que mereciam homenagem.

Eu sinto muita saudade
Da minha baladeira
Do meu pião e da funda
Bodoque e da peixeira,
Do auto que nós descia
Todo dia na carreira,
Da fumaça que nós fazia

Da folha de catingueira.

A casa era muito grande
De oito compartimento,
Meus bisavós que fizeram,
De frente para nascente
Em cima dum grande alto,
Lá passa muito vento,
E tem uma serra grande
Que fica mesmo na frente.

A roça perto de casa
De tudo a gente plantava,
Milho, feijão, gergelim,
Melancia, algodão, fava,
Jerimum, e cajueiro
Tudo isso se encontrava,
A terra era muito fértil
E a gente aproveitava.

Na frente da casa tinha
Um pé de cajaraneira
Por trás um de sirigúela
E muita carrapateira,
Os pássaros faziam festa
Nas frutas da pinheira,
Tinha Concriz, Bem-te-vi
e Xexeu de bananeira.

Na hora do almoço
O feijão estava presente
Batata, ovo estalado
Arroz vermelho e coentro
Pão de milho, rapadura.
Sobremesa? café quente,
A comida era saudável
Ninguém ficava doente.

Um dia nós no alpendre
E um sereno caia,
Para eu e meus irmão
A minha mãe dizia:
Como é bom a paz,
O sossego e a harmonia ...
Eu só achava bonito,
Mas ainda não entendia !

Quando ia chover
Nós ficávamos só olhando,
A serra se sumindo
Com a chuva se formando,
Sentia o cheiro da água
Que vinha se aproximando,
O vento soprava forte
Nas telhas assobiando.

Os açudes que nós fazíamos
Depois que a chuva passava,
O ronco da cachoeira
Quando o açudene sangrava,
O açude do governo,
Distante nós escutava
E a nuvem Mariana,
Sua zoada assombrava.

Lá perto tinha um engenho
Onde se moía cana,
Rapadura, batida, alfenim,
O gosto lá tinha fama,
O bagaço amarelado
Servia pra fazer chama,
Para ferver as caldeiras
Que a espuma derrama.

A luta era pesada
Ninguém brincava lá não,
Corta cana e carrega
De jumento ou caminhão,
Às quatro da madrugada
Se escutava o barulhão,
Mais tarde sentia o cheiro
Já era da produção.

Tínhamos dificuldades
Para conseguir estudar,
A escola muito longe
Com riachos para passar
Era sujeito a enchente
Um pequeno carregar,
Tinha que ter um adulto
Para nos atravessar.

O tempo foi passando
Os meninos crescendo,
Um a um foram saindo
Do nosso lindo terreno,
A casa ficou sozinha
E a saudade doendo,
No peito de cada um
Por tudo que nós vivemos.

Todos nós ainda sonhamos
Um dia poder voltar
Lá pra aquele paraíso
E a casa reformar,
Mais o tempo é perverso
Passa rápido sem parar,
A gente fica confuso
Sem saber se volta lá.



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